Vladimiro Hipólito: a música que dá energia à ótica

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A nossa viagem a Torres Vedras foi próspera e luminosa, apesar da chuva. Descobrimos um ótico, que é músico, que é culto, que é muito divertido e muito criativo. Por tudo isto, começámos por querer falar de música, mas perdemo-nos literalmente nos prazeres de uma boa conversa. Viajámos pela física, pelo espaço, pelo jazz, pela optometria, pela medicina, pelos filhos, pela política e pelos amores de família. Ou seja, fomos procurar a história de vida da Pax Óptica e dos seus dinamizadores, Vladimiro, Rui e José Hipólito e trouxemos muito mais. A “culpa” deste super poder de Vladimiro ou Miro, como é conhecido entre amigos, começa por ser dos pais: José Hipólito pelo seu espírito humano, tão socialmente irresistível e por ser um empreendedor inexorável e Olga Hipólito, professora de química e grande entusiasta das paixões dos filhos. E se contarmos que tudo começou entre dois adolescentes apaixonados, um jovem ótico de Beja, convidado a trabalhar em Torres Vedras pela clara predisposição para o mester, e uma torriense que queria ser química…A Pax Óptica nasceu desta chama e conquistou a seu tempo o estudioso de antropologia Miro e o engenheiro do ambiente Rui. Antropologia? É verdade, o nosso entrevistado é mesmo um volutear de conhecimentos e interesses. Mas os verdadeiros amores são, sem dúvida, a família, a música e a ótica. A música e o piano porque lhe estão no ADN, a ótica porque se entranhou na alma pela física, pelos meandros a que obriga conhecer e pelo prazer de mudar vidas para melhor, a família, essa, é aquele grupo obrigatório, uma espécie de tertúlia entre rostos que são tão semelhantes que se confundem, que se juntam em torno de instrumentos musicais, de um microfone, de uma aplicação de telemóvel que revela nomes de estrelas e de imensa cumplicidade. Entre risos e muito jazz percebemos também que a família Hipólito é muito mais larga, envolvendo os colaboradores das cinco óticas que compõem esta empresa sólida. Aqui fica o registo de um dos nossos óticos preferidos!

É um estudioso por natureza, mas quando entrou na faculdade qual era a ideia inicial?

Não sabia muito bem e ainda hoje não sei! (risos) Se pudesse voltar atrás, não sei se faria a mesma coisa. Fiz antropologia, na altura, por carolice e porque acho piada às ciências sociais. Na realidade, não era a antropologia por si só que me motivava, mas sim a parte etnográfica, em particular o Minho, que era espetacular para estudar e os meus trabalhos iam invariavelmente parar à música. Aliás, as apresentações práticas do curso eram eu a tocar acordeão com as senhoras minhotas a cantar (risos). E os professores adoravam, porque aquilo representava a etnografia pura e dura. No fim do curso percebi que as saídas eram escassas e não me via sentado num museu a catalogar peças. Foi nessa altura que percebi que a ótica seria uma possibilidade, com o meu pai sempre a puxar-me a mim e aos meus irmãos Rui e Luís. O Rui estava no Algarve em engenharia do ambiente, o Luís a estudar medicina em Lisboa e eu no Porto. Ainda por cima, o meu irmão Luís queria a especialidade de medicina interna e nem sequer ponderava a oftalmologia, que depois acabou por seguir pela respetiva faceta cirúrgica.

Ou seja acabou por ceder à Pax Óptica?

Deixei a antropologia para trás e fiz um curso de optometria na UPOOP e já tinha um curso técnico de contactologia. Comecei a exercer e a partir daqui fui ganhando alguma responsabilidade. Claro que à medida que me fui inteirando da área fui alargando os meus estudos, porque é assim que sou, quero sempre saber mais. Fiz a licenciatura pelo Instituto Superior de Educação e Ciências, de Lisboa. Hoje continuo a especializar-me na área, através da Universidade Complutense de Madrid, da Formação Continua em Optometria (EPOO), Universidade Europea de Madrid, entre outros.

É um músico em todo o seu ser e expressão. Nunca sonhou ser só artista?

Agora sim, ou melhor, talvez. Às vezes empreendemos caminhos na vida, porque pensamos demais. E quando estudava no conservatório de música estava na fase da antropologia, ou no Porto ou em Lisboa, e pensei que a música seria uma alternativa. A minha mãe insistia muito, pois achava que a música fazia o meu género e que eu tinha aptidão especial. No entanto, não me revia na vida precária que a maioria dos músicos levavam. Infelizmente, ainda não se concebem as artes trabalho sério.

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